quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Será que o álcool brasileiro já perdeu a corrida?

Algumas verdades sobre o petróleo e as energias limpas
Nós construímos a economia de maior sucesso em torno dos combustíveis de origem fóssil. Imagino que ninguém tenha duvidas quanto a isto. A demanda global por petróleo continua, e continuará crescendo pelo simples fato de a vida humana sobre o planeta estar assentada em um tripé: - EAP - Energia, aço e proteína (alimentos). Se a população aumenta e somarmos mais o esforço para erradicar, ou diminuir a pobreza então o consumo EAP aumentará também.
Somente os EUA consomem cerca de 40 “quatrilhões” de BTUs a cada ano (Sim, são 15 zeros – um milhão de bilhões). Os custos são astronômicos. Os EUA gastam ao ano 200 bilhões de dólares em importações de petróleo e derivados, com sérios impactos sobre empregos e risco para a segurança do país.

Nem que o Brasil multiplique por 10 a produção de etanol – são necessários 12 anos para que isso viesse à ocorrer – não supriria a demanda americana por álcool/gasolina, então o etanol brasileiro, por melhor que sejam suas condições ambientais e de competição com terras férteis e alimentos, não seria a solução do problema. E, nem de uma pequena parte como, digamos uns 10 > 20% do consumo. Não quero dizer com isso que não devemos dar atenção ao alcool, mas sim, dar-lhe o valor real que tem para o mercado internacional de energia e o meio ambiente. É importante lembrar que a produção de álcool ainda deve ser desenvolvida especialmente quanto as emissões de GHG, uso de água e fertilizantes.
Certamente não será a segunda geração de combustíveis alternativos como milho, soja e capim (switch-grass) a solução para a demanda de energia global. No máximo, certas regiões do globo poderão aproveitar da cana-de-açucar e da mamona para das suas piores terras retirar combustíveis.
O mundo precisa de soluções mais radicais para o mercado global de energia. Não podem ser combustíveis fósseis, nem biodiesel ou etanol competindo com alimentos. Não haveriam áreas suficientes para plantar combustíveis e alimentos. Nem cana de açúcar, pois os preços dos alimentos derrubariam fatalmente o Mercado de bioenergia. Alem do mais o impacto ambiental destas áreas agrícolas exigiria sistemas caros e complexos para captar os gases efeito estufa (GEE ou GHG) e mais ainda os reservatórios subterrâneos de água seriam seriamente comprometidos.


Já começaram a aparecer respostas mais claras para estes problemas.
Estou convencido que a saída serão híbridos de hidrogênio e algas, sim algas marinhas. Há dois anos pude ver o trabalho de um americano, Joe Clement que cultivava algas numa fazenda na Califórnia que é toda um deserto. Uma tubulação bombeia água do mar distante 6 milhas do mar. A energia para bombear esta água vem de 22 (hoje mais de 60) cataventos instalados na costa. Inunda áreas baixas e adequadamente niveladas e planta algas. Juntamente com a empresa Sapphire Energy desenvolveram processos para extrair carbono neutro à partir do CO2 e radiação solar. Gerando eficientemente uma espécie de petróleo cru desde essa que é das mais antigas e adaptáveis plantas do mundo: Algas são processadas em petróleo verde e este diretamente em gasolina com 91 octanas. As vantagens são imensas, pois retira o CO2 empregando a fotosíntese, não resulta biodiesel e nem etanol, eliminando os processos industriais destes, substitui produtos de petróleo e é avaliado pela escala ASTM. Não usa sequer terras pobres que podem ser usadas para a agricultura. Usa deserto e água salgada. É renovável e seus átomos de carbono são neutros e possibilita o uso doméstico de maneira independente. Ou seja, resulta em uma gasolina ambientalmente limpa e renovável com baixíssimo custo. Tudo isto sem mencionar que pode ser usada na estrutura existente de logística e distribuição em postos de serviço sem qualquer investimento em renovações da estrutura para estocagem e bombeio. E, no caso dos automóveis americanos, quando usam combustíveis com mais de 7% de etanol, perdem a garantia. A gasolina verde não tem este problema pois esta perfeitamente descrita nos padrões ASTM.

Um comentário:

Hugg Melo Kapp disse...

papai, é o Hugg estou com saudades volta! por favor.