Recentemente estive em Israel. Quem sabe pela trigésima ou quadragésima vez. Sempre a viver, aprender, plantar, estudar e fazer negócios. Desta vez foi muito diferente. Esperavam-me velhos amigos do Hein Yahav e da Agrexco. Na verdade me convidavam haviam vários meses pois souberam das minhas pesquisas sobre a Atmosfera Modifica para Estufas Agrícolas – AMEA como costumo chamar. Sempre coloco nomes na língua inglesa para os meus projetos e idéias o que lhes confere um caráter mais universal. Desta vez, nem sei bem a razão decidi usar o português. Os outros que a traduzam como sempre fizeram, e fiz em minha vida inteira. Traduzindo meus próprios títulos aos idiomas locais, onde me encontrava, é claro. Em 1997, já cansado do medo que sempre tive dos defensivos agrícolas, entenda-se agrotóxicos. Depois de observar abelhas mortas pelos “defensivos” pensei que não poderíamos seguir atacando e matando nossos melhores aliados na produção de alimentos. Abelhas, minhocas e todo o espectro de bactérias anaeróbicas, alem dos biomas micro bacterianos do solo. Estávamos acabando com tudo para produzir lindos tomates e berinjelas que pareciam mais saídas de uma fabrica de brinquedos. Buscava soluções na terra e ar quando me ocorreu à idéia de cultivar alimentos para as plantas e alterar o “ar” até os limites de tolerância das plantas, uma vez que suas atmosferas podem variar mais do que a nossa. Ora se um vegetal precisa de carbono e oxigênio em proporções tão díspares das nossas necessidades e que estas se complementam gerando gases que o outro consome, então porque não alterar as proporções destes gases. Nascia então a AMEA. Construí pequenas estufas, com 2,3 a 4,8 m3, sendo as maiores com a superfície do solo exposta e as menores com mulching hermético.
O ar que respiramos contem 78,09% de Nitrogênio, 20,95% de Oxigênio, 0,03>4 Dióxido de carbono alem de 0,93% de Argônio e mais traços de Neônio, Hélio, Metano, Kriptônio, Hidrogênio, Xenônio, Ozônio e, ainda contem água e partículas de poeira e várias formas poluentes. Daí então parti para a”dieta básica dos vegetais” deixando o inerte Nitrogênio e focando as proporções de carbono e oxigênio que não poderia alterar, pois o primeiro certamente chegaria a níveis tóxicos ao ser humano e o segundo – oxigênio – é caro para ser usado massivamente na agricultura. A questão, o postulado, era a seguinte: - Quais dos outros gases deveria alterar as proporções para chegar a níveis economicamente viáveis e que os insetos (vetores) e as bactérias e viroses não encontrassem ambiente fértil para sua propagação infestando os vegetais? – Passei por algumas centenas de fracassos, descritos em 3 centenas de folhas de caderno de campo. As plantas respondiam muito mal ao aumento da mistura de ozônio proveniente de varetas elétricas e o carbono. Aos poucos fui “afinando” as proporções deste gases com adições em períodos preestabelecidos de hélio. A alternância destas proporções com períodos de ventilação com atmosfera “natural” permitiu até a penetração de uma espécie de abelhas nas estufas. As abelhas também me ensinaram os limites de tolerância para os insetos em atmosferas modificadas. Jamais tivera noticia que as abelhas toleram até 3 vezes mais dióxido de carbono (não o monóxido). Também observava e anotava o comportamento de outros insetos voadores como as moscas alem de monitorar as minhocas e nematóides. Concluí que existem denominadores comuns de “respirabilidade” aos insetos bem como a vida superficial no subsolo até 30 cm aproximadamente. Por razões óbvias esses gráficos que construí são um segredo bem guardado. Entretanto, posso afirmar que a alternância de atmosferas modificadas nas proporções corretas elimina a necessidade de qualquer defensivo agrícola. Permite também acelerar ou reduzir o crescimento de tomates, berinjelas, melões e pimentões, mas pouco efeito tem nas alfaces. Não sei as razões disto ocorrer, mas sei que ocorre, independente das temperaturas ideais de cultivo. Não possuo um laboratório e minhas pesquisas são mais um hobby, uma paixão do uma atividade científica. Todavia sei que tenho algo muito valioso em minhas mãos para a preservação do meio ambiente e quem sabe até com valor econômico.
Surpreendeu-me muito o interesse de meus amigos em Israel, pois querem que eu volte a viver lá para seguir com meu brinquedo que começou no Rio Grande do Sul. Já havia publicado isto neste mesmo blog (veja abaixo) e apresentado a Comissões de Agricultura, EMATER, EMBRAPA etc. Jamais deram a mínima importância, jamais ofereceram-me ajuda. E algum centavo? Ao contrário, sempre tive que pagar para que me ouvissem por meia hora e com considerável desinteresse. Parei com estas pesquisas de “brinquedo” no ano 2000. Voltei à indústria de energia no exterior, onde sempre consegui dinheiro para a sobrevivência. Enquanto pensava e “brincava” com bioenergia sempre pensando no mundo de meus filhos. O futuro, o meio ambiente. Vendia navios de óleo diesel e petróleo cru no mercado spot internacional.
Desenvolvi biodigestores e biocatalizadores (veja abaixo o K-ZERO-Mob) tão simples e baratos que hoje chineses de duas empresas chinesas ligadas ao governo da província de Ningxia Hui estão interessados em produzir para seus pequenos agricultores. Veja bem que a China é o berço dos biodigestores. Eles os usam com sucesso desde milênios. Literalmente despejam “pinicos” com suas próprias fezes em barris biodigestores para aproveitar tudo. Toda a energia disponível. Tem em operação mais de 8 milhões de biodigestores de grande e médio porte em operação. Mas nenhum tão barato e simples como o K-ZERO-Mob. Pedi a eles US$10,00 – dez dólares ou seja aprox 20 reais por unidade para o licenciamento de 1 milhão de unidades K-ZERO-Mob. Sei que eles irão por este caminho com ou sem licenciamento. Espero que sim, pois mesmo que eu não ganhe nada, sei que o meio ambiente ganhará, e muito. Lembrem-se que 1 milhão de K-ZERO-Mob é quase uma Itaipu de energia sem falar no imenso volume de biofertilizantes e nas reduções voluntarias de GEE que somadas e se fossem monitoradas poderiam chegar a mais de 2 bilhões de EUROS ao ano.
Entrei em um concurso patrocinado pelo BID – Banco interamericano do Desenvolvimento e entidades alemãs e coreanas alem de algumas ONGs. Premio = 200 mil dólares. Mandaram-me um e-mail dizendo que meu projeto havia sido selecionado e que veria resultados em setembro deste ano. Só que não sabem que já gastei mais de 1,2 milhões de dólares e quase uma década de minha vida para que outros surrupiassem minhas idéias e pesquisas. Geralmente são funcionários públicos brasileiros ligados a pesquisas e universidades. Não é oportuno citar nomes, mas eu sei de uma dezena de casos, imaginem quantos mais haverá?
Nunca consegui ganhar um tostão no Brasil. Sempre tive que ir a Europa, ao Oriente médio e aos EUA para prover-me economicamente. E na minha amada terra Brasilis, até o meu CPF já foi cancelado há vários anos. Querem que eu declare imposto de renda. E, eu penso: - Que renda? Se me transformei, involuntariamente em investidor externo em pesquisa. Como posso viver em um país onde a corrupção no Congresso e Senado Federal começa no restaurante da casa e vai até presidentes. Ganho dinheiro no exterior para financiar minha sobrevivência e pesquisas então os funcionários públicos pagos para pesquisas roubam descaradamente minhas pesquisas. Não posso usar um laboratório de uma universidade publica sem ser roubado.
Aos 55 anos, penso que devo parar de “brincar”, pois Pero Vaz De Caminha já dizia ao rei que esta terra era uma terra de futuro. Só que hoje ainda continuamos dizendo a mesma coisa.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
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